Aos 30, conheci o mosquito da decepção

Já comentei outrora que recentemente completei 30 anos. Deveria ser tempo de festa, de olhar para trás e contabilizar realizações. Mas não é o que acontece comigo. Eu contabilizo decepções.

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Sinto como se nada tivesse dado certo. De todas as metas e sonhos que tinha de vida, a única que realmente deu certo foi ter encontrado um amor. Não que isso seja pouco… Ao contrário, meu príncipe encantado veio muito melhor do que eu poderia imaginar. Ele é meu parceiro, me deixa segura (nem a famosa “noite do futebol” ele não tem), se preocupa com nosso futuro. Isso é ótimo. Mas ainda estou incompleta.

Quando mais jovem, imaginava que nesta idade eu já teria alcançado a plenitude. Teria uma formação, provavelmente um mestrado; uma casa própria, conquistada com o meu trabalho; uma família completa, com um bebê e já na fila para adotar outro; um trabalho que me trouxesse uma condição de vida confortável e que me satisfizesse; teria conhecido algumas partes do mundo mais distantes; poderia ajudar meus pais financeiramente e até o sobrinho e afilhado que estão em época de faculdade. E isso não me parece ser pedir demais, seria apenas fruto do meu esforço e dos meus pais, que também ralaram bastante para poder me dar a melhor educação.

Mas tudo deu errado. Tenho a formação, é bem verdade. Numa profissão a qual considerava fascinante. Ainda considero, mas nem sempre podemos exercê-la como se deve. Nunca trabalhei num grande meio de comunicação, desde que me formei sempre ocupei vagas em veículos pequenos, que atendem uma cidade ou região. E acho este um dos trabalhos mais dignificantes de um comunicólogo, pois poucos profissionais querem estar ali. E uma pequena região ou cidade só vai “se enxergar” na mídia, se forem nos canais locais. Os grandes jornais e canais de televisão têm um universo muito maior de noticias, logo, os pequenos municípios só aparecem na hora da tragédia ou fato muito extraordinário. Por outro lado, por serem pequenos meios de comunicação, a estrutura não é a ideal. Falta recursos humanos, muitas vezes as contas estão apertadas e não é possível se deslocar até locais mais distantes para mostrar uma situação e a profissionalização não é das maiores. Muita gente só fez a faculdade e nunca mais fez nem um cursinho online; outros nem o curso superior em Jornalismo não têm.

Nesta parte profissional, sempre me achei dedicada. Mas parece que nunca foi o suficiente para eu crescer. Nenhum meio de comunicação de porte maior me convidou para entrar para o time deles. Nunca tive nenhum tipo de reconhecimento pelo trabalho que já desenvolvi. Moro em um lugar que não posso continuar me qualificando, pois o mestrado mais próximo é muito longe. O salário que recebo é o suficiente para pagar as contas do mês, mas não para dar a entrada na casa própria, para ter um carro zero, quiçá para poder ajudar financeiramente a família.

Isso gera em mim um desconforto gigante. E me faz querer mudar de área… gastronomia ou decoração de festas. Mas também não tenho como me qualificar por onde ando.

Quanto à família, com o tempo amadureci mais e vi que após os 30 anos era a melhor opção mesmo. Agora, com esta idade, cogito isso lá pelos 32, 33 anos. Porém não é bem assim. Até lá preciso emagrecer 30 quilos (sim! Gordacha master, minha gente.), fazer um tratamento para ovário policístico e torcer para que dê tudo certo.

Também não saí do continente. Não conheci as praias nordestinas. Não tenho fotos na Disney. Não falo inglês (ficou na mesma área do cérebro que está a matemática. Não aprendo de jeito nenhum!).

A vida ainda se encarregou em me afastar de muitas pessoas que amo. As circunstâncias me fizeram ir morar longe, em um local onde não tenho muitas grandes amizades. Onde as pessoas não costumam se visitar ou saírem para um happy hour junto. E essa constatação não é exclusiva minha, conheço outras pessoas de fora daqui que também lamentam por isso, por não conseguirem manter vínculos com os nativos, pois parecem que eles não fazem questão. E como a gente sabe, por mais que existam as redes sociais, ficar muito tempo longe dos amigos pode causar um afastamento.

Tenho vontade de chorar, de silenciar, de sair correndo. Fico apenas inanimada. Esperando que apareça a cura para os efeitos da picada do mosquito da decepção.

 

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4 pensamentos sobre “Aos 30, conheci o mosquito da decepção

  1. Oi Fê! também compartilho sobre a especialização e sobre finanças apertadas… mas todos os dias, quando acordo às 6:30 respiro fundo e baixo a Carolina Ferraz que há em mim: – ” Porquê eu sou rycah, eu sou rycahhhh!!!!” ( okay, sou pobre $, mas to viva, com as pernas, braços e cabeça funfando,logo, estou com tudo o que preciso.
    Me maquio, levo a Lu na escola, vou ganhar o pão e sempre tento ao longo do dia me dar pequenos prazeres… já que os grandes carecem de recursos que não temos. Ir para casa depois de um dia puxado sabendo que tem um amor é o bônus. Eu juro que quando saio , desço a rua olhando o por do sol e cantarolo Renato Russo: ” e quando chega o fim do dia, eu só penso em descansar e voltar pra casa, pros teus braços…”
    Pretendo logo começar uma faculdade, acabamos priorizando os bens antes, fora que fui mãe muito cedo, e isso consumiu muito nossos rendimentos.
    Não se abata, minha flor, enquanto houver possibilidades, é nelas que no apegamos.Uma ótima semana!!! :*

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  2. Nossa! Li esse post e me identifiquei muito!
    Espero que consiga achar o ânimo em si mesma e aproveitar tudo o que Deus ainda planeja pra ti e sua família. Nem sempre as coisas saem como o tão sonhado planejamento de vida, mas veja pelo lado positivo, você tem seu companheiro, que apesar de tudo ele esta ao seu lado te apoiando! Muitas pessoas não tem isso.
    E como eu sempre digo: Viva um dia de cada vez!
    Beijos, Dany.
    https://leitoranamoda.wordpress.com/

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    • Oi, Dany! Sabe que eu acho que é crise dos 30 isso. Heheheh… Esses dias encontrei com amigas da mesma idade e todas elas vivem decepções também. Algumas pelo lado profissional como eu, outras pelo lado sentimental. Tem dias que parece que não há sentido em estar por aqui. Mas depois passa. Um grande beijo!

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